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Pr. Regisnaldo Reis - Aliança
Princípios de uma verdadeira aliança entre irmãos na fé

Aliança é um compromisso soberano de Deus através do qual Ele estabelece um relacionamento de responsabilidade.
Deus é um Deus de aliança, Ele fez aliança com Adão, dando-lhe a promessa de redenção. Fez aliança com Noé; Aliança com Abraão; aliança com Moisés; aliança Deuteronômica (promessa de restauração de Israel no tempo devido); aliança com Davi. Mas existe uma outra aliança que é o segredo de uma vida plena e significativa - reside naquilo que a Bíblia denomina "a nova aliança".

Esta nova aliança é aquela a que Jesus se referiu quando passou o cálice aos seus discípulos, ao instituir a ceia do Senhor. "Isto é o meu sangue, o sangue da aliança, derramado em favor de muitos, para remissão de pecados”.  Este cálice, tomado juntamente com o pão, deve relembrar-nos da verdade central de nossa vida: Jesus morreu por nós, para que possa viver em nós. É sua vida em nós que constitui o poder que nos capacita a viver a verdadeira vida cristã. Isto é a nova aliança.

É importante que compreendamos o significado da palavra aliança. Segundo Paulo, há duas alianças operando na vida humana. Uma é a nova, que ele descreve como sendo "vinda de Deus e não de mim". A outra é a velha, que se acha em flagrante contraste com a primeira, e portanto pode ser descrita como sendo "tudo vem de mim; nada de Deus".Nesta, eu é quem digo o devo fazer.

O cristianismo não é apenas conversão, é mais que isso, é toda uma vida a ser vivida. Uma vida plena neste presente século, sem fugas, sem fingimento, sem falsidade e sem derrotas. Para isso, é necessário que levemos a sério nossos compromissos, quando fazemos aliança com um irmão, com a célula, ou com a igreja, temos que pensar que Deus está nisso, que é coisa séria, e tem que ser honrada, não podemos banalizar, ou trocar de aliança como se troca de roupa.

Imagine, eu tenho uma aliança com a minha esposa Elza há trinta e cinco anos, de repente chego para ela e digo: "Deus me mandou fazer uma aliança com outra mulher, é questão de visão, depois desse anos todos, Ele está me dando outra visão... Por isso, vou me aliançar com outra pessoa". Isso é descabido!

Vejamos um exemplo de aliança na Bíblia:
"Sucedeu que, acabando Davi de falar com Saul, a alma de Jônatas se ligou com a de Davi; e Jônatas o amou como à sua própria alma. Saul, naquele dia, o tomou e não lhe permitiu que tornasse para a casa de seu pai. Jônatas e Davi fizeram aliança, porque Jônatas o amava como à sua própria alma. Despojou-se Jônatas da capa que vestia e a deu a Davi, como também a armadura, inclusive a espada, o arco e o cinto" (1 Samuel 18.1).

Estamos em aliança com o Senhor e com os nossos irmãos. Estamos unidos em um só corpo, a Igreja de Cristo, e, como membros desse Corpo, estamos unidos de uma forma viva e orgânica. Ao contrário de Davi e Jônatas, nós não temos a opção de escolher uma pessoa, em particular, e fazer uma aliança com ela. Assim como não escolhemos pais e irmãos de sangue, também não escolhemos nossos irmãos na fé. Deus os escolheu por nós. Mas as características da aliança entre Davi e Jônatas são comuns a todos nós. Por isso, precisamos compreender esses princípios e aplicá-los, pois não queremos ser apenas uma igreja centrada na Palavra mas, acima de tudo, queremos ser conhecidos como uma igreja de amor, de comunhão.

Na aliança entre Davi e Jônatas, encontramos alguns princípios que também se aplicam a nós, a comunidade da aliança:

1. Entregando a capa
A nossa aliança de amor é uma aliança de amizade. Depois de ter feito uma aliança com Deus, Abraão foi chamado amigo de Deus. A aliança foi a base dessa amizade. Quando andou na terra, Jesus foi chamado de amigo de pecadores. Qual a razão disso? Porque, sendo Deus, Ele se fez homem para tomar o nosso lugar na cruz. Ele estava em aliança com o homem pecador. Portanto, só há amizade genuína se houver aliança. Uma célula saudável e forte não é, necessariamente, a maior, mas aquela onde os membros estejam vinculados em amor e amizade. Não fazemos cultos familiares; ao contrário: temos um encontro da família de Deus nas nossas casas. Após ter firmado uma aliança com Davi, Jônatas despojou-se da capa que vestia e a deu ao amigo. Com esse ato, ele estava dizendo que amigo é aquele que guarda o outro. O amigo nunca expõe a debilidade do outro. Um irmão não se alegra com as falhas do outro e jamais as expõe ao público; pelo contrário, ele tira e dá a própria capa ao amigo para que assim ele possa se cobrir e se proteger com ela.

2. Despojando-se da armadura
Jônatas despojou-se ainda da armadura e a entregou ao amigo. Numa aliança de amizade, não basta colocar a capa para guardar e cobrir o outro; é preciso dispor-se a protegê-lo. Despojar-se da armadura é dizer: “agora, dependo de você para me proteger dos meus inimigos”. São muitos os tipos de ataques a que estamos sujeitos no nosso dia-a-dia... Por isso, só nos sentiremos seguros e protegidos, quando estivermos unidos numa comunidade de aliança. Talvez nenhum outro sinal da aliança seja tão importante como este. Se o lobo está atacando o rebanho e não o percebemos, é porque ainda não entramos em aliança uns com os outros, onde todos cuidam de todos.

3. Despojando-se da espada
Jônatas despojou-se também da espada. Isso tem um significado duplo. De um lado, significa que estou me desarmando para o meu irmão e assim caminharemos juntos e desarmados de qualquer atitude de desconfiança. Creio que podemos dizer que a Igreja é um lugar de gente desarmada. Se existir alguma arma, ela será usada somente contra o diabo e por isso não precisamos ser arredios e avessos à comunhão na vida da Igreja. Por outro lado, entregar a espada também implica em abandonar um relacionamento superficial. Entregar a espada é interferir na vida do nosso irmão. É usar a espada não para ferir, nem para atacar ou agredir, mas para extirpar um tumor que está ameaçando a vida do amigo (isso se chama exortação). Precisamos de pessoas que não tenham nenhum receio de interferir em nossa vida. Pergunte-se a si mesmo se existe alguém com a liberdade de tratar abertamente com você. Caso não exista ninguém, provavelmente, o seu crescimento está comprometido.

4. Entregando o arco
Nos dias de Davi e Jônatas, o arco não era, exclusivamente, uma arma de guerra. Sua finalidade maior era a caça. Ao entregar o arco a Davi, Jônatas estava dizendo: “eu não vou deixar você na mão. Eu não sou rico; mas, o que eu possuo, usarei para abençoá-lo também.” Precisamos ser Igreja, e não apenas fazer reuniões, encontros ou comunhões. Precisamos ser Igreja nos compromissos e nos relacionamentos. Se toda a vida da Igreja resumir-se apenas a uma reunião de fim de semana, então eu não entendo ainda o que é a aliança do corpo. Se o meu compromisso com a Igreja é apenas para desempenhar um cargo, o que seria de tantos que não têm cargo algum na Igreja? O meu compromisso é com o corpo, e não com a estrutura ou com o trabalho. Mesmo não fazendo coisa alguma, eu estou comprometido, porque tenho uma aliança com a Igreja e com a célula.

5. Entregando o cinto
Depois de entregar a capa, a armadura, a espada e o arco, finalmente, Jônatas entregou o cinto. O cinto era usado para dar firmeza e sustentação. Isso significa que o amigo é aquele que dá suporte. Nós somos a “escora” do nosso irmão. Se ele está com a perna quebrada, nós somos a “muleta” que o ampara. Muitas vezes, é desagradável; outras vezes, é como um fardo pesado, mas o amor de Deus em nós nos dá graça para avançar. Fomos chamados para ser companheiros de jugo, diz Paulo (Gl 6.2; Fp 4.3). As alianças na Igreja não têm caráter transitório; pelo contrário, são eternas. Na Eternidade, estaremos sempre juntos com esses mesmos irmãos que nos abençoam hoje. Eu penso que uma das grandes diferenças entre o céu e o inferno é esta: o inferno é individualista enquanto o céu é uma comunidade ajudadora.

Conta-se que, certa vez, um homem foi levado, respectivamente, ao céu e ao inferno. Primeiro, levaram-no ao inferno, onde ele viu uma grande mesa com todo tipo de comida saborosa. Contudo, as pessoas sentadas à mesa tinham uma deficiência: os braços eram retorcidos para o lado de fora. Por causa desse defeito, elas não conseguiam levar o garfo à boca. Sempre que o faziam, o garfo seguia direção contrária. A agonia daquelas pessoas era terrível. Apesar de estarem famintas e diante de tão farto banquete, ninguém podia alimentar-se. Depois, ele foi levado ao céu. Lá, ele viu uma mesa semelhante, e nela um grande banquete era servido. As pessoas ali também tinham os braços retorcidos para o lado de fora, mas todos riam e se alegravam tremendamente. Mas qual seria o segredo? O segredo era que, não podendo levar o garfo à própria boca, cada um deles colocava a comida na boca do vizinho e dessa forma todos se alimentavam. O que dá à nossa vida um caráter celestial é justamente essa aliança de amizade e amor que estabelecemos uns com os outros. É hora de nos despojarmos da capa, da armadura, da espada, do arco e do cinto. Estas são as condições estabelecidas por Deus para mantermos relacionamentos vivos e assim estarmos em aliança real de amor.

Uma aliança é algo que sempre agradou a Deus. Estar em aliança significa estar junto em oração, estar junto em jejum, em intercessão, em dificuldades e em alegrias. O Senhor sempre prezou a aliança entre os homens, por isso o cordão de três dobras não se arrebenta tão depressa. Quando o Senhor faz parte deste cordão, os outros dois não têm o que temer. Basta seguir as orientações que vêm “dEle”, basta agradar-se “dEle”, e no mais Ele nos concederá todos os desejos do coração, como dito em Salmos.

Querido irmão, desafio você a fazer uma aliança com um irmão, a pagar o preço de estar junto, de buscar de Deus o melhor para ambas as vidas; porque disse Deus que “Há um amigo mais chegando do que um irmão” (Pv.18:24) e nos dias de hoje, o que dizer da amizade? O inimigo tem tentando desfazer laços de afeto, de carinho, de verdadeira entrega entre os irmãos. Porque estaria ele feliz em ver uma aliança? Saibam irmãos, que tudo fica mais fácil quando nos deixamos ser usados por Deus. Assim estamos aprendendo, estamos nos aperfeiçoando, expondo nossas fraquezas, nossas limitações e podendo contar com a ajuda de um alguém enviado por Deus para superar nossas falhas.

Porque não buscamos, então, que o Senhor venha nos presentear com esta aliança? O que poderia ser mais prazeroso do que ter com quem contar, ter um ombro amigo para desabafar, ter um abraço fraterno quando nos sentimos carentes, ter uma palavra edificante quando nos sentimos perdidos, sermos repreendidos com amor quando cometemos uma falha ou estamos com nossos caminhos tortos? Tudo isto faz diferença quando vêm de Deus, irmãos; e se vem de Deus quem poderá nos fechar esta porta? Quem poderá deter esta aliança? Qual o sentido de sermos uma grande Igreja se não formos grandes no amor? Que tal pararmos um pouco para analisarmos se vale à pena nos esquivarmos de estender a mão, de acolher, se o próprio Jesus se alegra com a comunhão verdadeira? Eu posso dizer que o Senhor me deu esta aliança, e hoje, sou muito feliz com este cordão de três dobras, porque minha aliança provém do Senhor e amar um amigo significa amar ao próprio Senhor Jesus. Por esta aliança, hoje contemplo claramente a face de Deus, e agradeço a Ele por este cordão, que não se arrebenta e nem se desfaz.

Uma aliança serve para você se sentir 100% à vontade com a outra pessoa, à vontade para concordar com ele e discordar dela. Serve para ficar em silêncio sem que nenhum dos dois se incomode com isso, aliança serve para encontrar soluções juntas. Aliança serve para ensinar a confiar, a respeitar as diferenças que há entre as pessoas, estimular a você a ser obediente, fiel, submisso e a produzir frutos. Aliança serve para suprir as necessidades um do outro, serve para incentivar a compartilhar e confessar os pecados a outro, e a perdoar as fraquezas do outro. Serve para, enfim, os dois abrirem seus corações para Deus. Que Deus continue nos unindo com alianças de amor e de amizade.

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