Você está aqui:   » Mensagens  » Palavras de domingo
Pr. Regisnaldo - RESTAURA??O (01/03/2015)
A coincidência da plenitude da humildade com a restauração.

Atos 3:19-21

Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos do refrigério pela presença do Senhor, 20 E envie ele a Jesus Cristo, que já dantes vos foi pregado. 21 O qual convém que o céu contenha até aos tempos da restauração de tudo, dos quais Deus falou pela boca de todos os seus santos profetas, desde o princípio.

Quem precisa de restauração?

A pessoa que foi alcançada pela graça, que se arrependeu de sua vida pregressa, que se converteu ao evangelho, que experimentou uma mudança radical, que foi batizada, que se tornou habitação do Espírito Santo e que se fez voluntariamente membro comungante de uma igreja cristã ou a pessoa criada desde a infância no temor do Senhor.

Em virtude de sua natureza pecaminosa, é possível que ela ceda à tentação e passe a viver de modo contrário à sua vontade e à sua formação religiosa. A crise de fé e de conduta pode durar pouco ou muito tempo.

Por ser verdadeiramente comprometida com Cristo, essa pessoa entristece o Espírito que a selou para o dia da redenção final e entristece a si mesma, além de prejudicar ou interromper a sua comunhão com Deus. Ela também sofre porque a mão do Senhor pesa dia e noite sobre a sua cabeça (Sl 32.4 Porque de dia e de noite a tua mão pesava sobre mim; o meu humor se tornou em sequidão de estio.). Isso acontece mesmo que a igreja não saiba o que ela está fazendo de errado. É exatamente essa pessoa que precisa de restauração.

Temos dois exemplos clássicos de restauração, um no Antigo Testamento e o outro no Novo Testamento. Depois de cometer adultério com Bate-Seba e de mandar matar o marido dela, Davi logicamente precisava ser restaurado. Depois de negar covardemente o Senhor Jesus na madrugada da Sexta-Feira da Paixão, Pedro precisava ser restaurado.

Engana-se quem pensa que a restauração é necessária apenas para os cristãos que cometem pecados públicos e escandalosos, como os de Davi, de Pedro e daquele membro da igreja de Corinto que abusou sexualmente da mulher do próprio pai (1Co 5.1). O personagem do Salmo 73 precisava de restauração tanto quanto os acima mencionados. O problema de Asafe não era moral, mas uma crise de fé muito séria. Ele quase perdeu a confiança em Deus quando chegou à errada conclusão de que não adianta coisa alguma conservar- se puro e ter as mãos limpas do pecado, já que os ímpios sofrem menos do que os justos. A ponto de romper com Deus, o cantor precisava ter sua fé restaurada, o que aconteceu quando o Senhor lhe falou ao coração (Sl 73.17).

A restauração pode e deve acontecer depois de qualquer acidente de percurso, depois de qualquer escorregão moral, depois de qualquer queda, depois de qualquer desvio, depois de qualquer trapalhada, depois de qualquer período de frieza espiritual, depois de qualquer crise de fé, depois de qualquer desastre ético, depois de qualquer escândalo, depois de qualquer aborrecimento com a igreja militante. A restauração espiritual traz de volta a paz interior, a alegria, o entusiasmo, a delícia da comunhão com Deus, a vontade de ler a Bíblia e de orar, a disposição para negar-se a si mesmo e para servir a Deus, à igreja e ao próximo!

A coincidência da plenitude da humildade com a restauração.

Uma restauração da fé aqui e ali pode ser a ponta de algo maravilhoso que Deus irá realizar no país.

Todas as igrejas brasileiras deveriam ter ouvidos abertos para ouvir o que o Espírito tem a lhes dizer. E o que o Espírito quer dizer é a necessidade de restauração que elas têm nesta ou naquela área ou em todas as áreas.

Das sete igrejas da Ásia Menor, apenas duas - a de Esmirna e a de Filadélfia - não precisam de restauração. A igreja de Éfeso precisa recuperar o amor perdido com o tempo, o amor que ela tinha anteriormente por Jesus Cristo (Ap 2.4). A igreja de Pérgamo precisa recuperar a ortodoxia doutrinária perdida com o tempo (Ap 2.14-15). A igreja de Tiatira precisa recuperar a ortopraxia perdida com o tempo (Ap 2.20-23). A igreja de Sardes precisa recuperar o entusiasmo perdido com o tempo (Ap 3.1-3). E a igreja de Laodiceia -- coitada -- precisa recuperar a seriedade (ela não era nem fria nem quente) perdida no tempo.

A restauração pode ser pessoal ou coletiva, isto é, pode acontecer com um membro da igreja ou com toda a igreja, ou pelo menos com a maioria dela. A restauração pessoal pode, pelo exemplo, contagiar outros irmãos. A igreja pega fogo quando o número de cristãos restaurados aumenta e a influência deles torna-se maior. Isso pode provocar no seio da igreja aquilo que chamamos de avivamento, ou seja, aquele período de tempo em que o Espírito atua maciçamente no meio de um grupo de cristãos ou numa igreja toda (ou quase toda), levando-os a buscar a Deus de forma mais intensa, deixando de lado a rotina, a frieza, a inércia e os escândalos, tudo para o engrandecimento do reino.

Pode-se dizer que avivamento é a renovação e o alargamento da conversão. É a passagem da fé menor para a fé maior, do cálice pela metade para o cálice cheio, da entrega parcial para a entrega total, da mesmice para a novidade de vida, das obras da carne para os frutos do Espírito, da posse do Espírito para a plenitude do Espírito. O avivamento começa a manifestar-se e a tornar-se visível quando um bom número de irmãos passa por uma experiência de restauração espiritual.

Uma restauração da fé aqui e ali pode ser a ponta inicial de algo maravilhoso que Deus irá realizar na igreja brasileira. Muitas restaurações nesta e naquela igreja, neste e naquele lugar, podem incendiar o país todo, não necessariamente no que diz respeito a sinais e prodígios, mas no que diz respeito à santidade de vida, ao amor e serviço aos outros e à paixão missionária. Vale a pena orar: “Restaura-nos, ó Senhor!” (Sl 80.3 Faz-nos voltar, ó Deus, e faz resplandecer o teu rosto, e seremos salvos.)

A longa história da restauração

A história da restauração é mais longa do que a história da civilização. Ela começa na eternidade e termina na eternidade. Embora normalmente a medicação de qualquer doença seja posterior ao diagnóstico, no caso da restauração do gênero humano e da própria criação, a solução do problema do pecado foi arquitetada antes mesmo da entrada do pecado no mundo. Quem afirma isso são dois homens de muito peso na história da igreja. Em sua carta aos Efésios, Paulo declara: “Muito antes que Ele [Deus] estabelecesse os fundamentos da terra, Ele já pensava em nós e nos escolheu como alvo do Seu amor, para nos fazer completos e santos [para nos restaurar] por meio desse amor” (Ef 1.4). Pedro, por sua vez, afirma: “Vocês foram libertados [restaurados] pelo precioso sangue de Cristo, que era como um cordeiro sem defeito nem mancha. Ele foi escolhido por Deus antes da criação do mundo e foi revelado nestes últimos tempos em benefício de vocês” (1Pe 1.19-20). “A história da restauração continua no Éden”, logo após a queda do ser humano. Deus faz ouvir a sua voz, declara guerra entre a serpente (que representa o Maligno) e a mulher (que representa a humanidade) e acrescenta que a descendência da mulher (uma referência clara a Jesus) esmagaria a cabeça da serpente, e esta feriria o calcanhar do descendente da mulher (uma referência clara à crucificação de Jesus).

“A história da restauração continua na história do dilúvio” (um evento registrado não só no Antigo Testamento, mas também na memória coletiva de alguns povos primitivos). Porque todo mundo só pratica o mal, porque a terra está cheia de pecado e violência, porque a vida se tornou impossível sobre a face da terra, Deus resolve restaurar a terra, eliminando toda aquela geração por meio de uma enchente de proporções gigantescas (a água subiu sete metros acima das mais altas montanhas). Com os oito únicos sobreviventes (a família de Noé), há um novo princípio e uma nova história (Gn 6.1--9.29).

“A história da restauração continua com a chamada de Abraão”. Esse homem, casado com uma mulher estéril, deixa pai, mãe e sua terra natal e sai “sem saber para onde ir” (Hb 11.8). Outra vez, Deus resolve começar tudo de novo. Por meio daquele homem, o Senhor iria formar uma nação que teria princípios de conduta diferentes e uma fé diferente.

“A história da restauração continua e atinge um dos seus ápices maiores quando uma jovem fica grávida sem ter relações com homem algum” (Lc 1.26-38) e quando, ao dar à luz a criança, um anjo do Senhor aparece no céu de Belém e proclama: “Estou aqui a fim de trazer uma boa notícia para vocês, e ela será motivo de grande alegria também para todo o povo! Hoje mesmo, na cidade de Davi, nasceu o Salvador [o Restaurador] de vocês -- o Messias, o Senhor!” (Lc 2.9-11). Em nenhuma época anterior, a história da restauração foi tão viva, tão visível, tão gloriosa e tão emocionante! Pois foi nesse espaço de tempo que Jesus tomou sobre si toda a nossa sujeira e culpa, purgando-as na cruz. Foi nesse espaço de tempo que o véu que separava o ser humano de Deus se rasgou por completo (Mt 27.51).

“A longa e bem-sucedida história da restauração continua com o Pentecostes”, quando o Espírito Santo vem para ficar, quando o Israel de Deus passa a ser a Igreja e começa a reunir judeus e não judeus, quando a Igreja é encarregada de pregar as boas novas tanto aqui como ali, tanto a judeus como a gentios, tanto ao pobre como ao rico, tanto ao homem como à mulher, tanto ao doutor como ao analfabeto -- até que o Senhor volte. A longa e bem-sucedida história da restauração só vai terminar quando Jesus voltar, quando os mortos ressuscitarem, quando os vivos forem transformados, quando os céus e a terra que agora existem forem destruídos pelo fogo, quando a antiga serpente, a morte e o mundo dos mortos forem lançados no lago de fogo e enxofre e quando começarmos a usufruir dos novos céus e da nova terra.

A diversidade da restauração

Restauração da saúde.

A doença, em especial a doença sem cura, é um sofrimento enorme. Ela impõe limites, provoca dor, causa medo, rouba a alegria de viver e muito mais.

Restauração do corpo.

A morte não é a última palavra, o último acontecimento, a última página. Antes, a morte é o último inimigo do ser humano a ser vencido por Jesus Cristo, aquele que tem todas as coisas sob seus pés (1Co 15.26). O que caracteriza a morte é a sinistra ruptura entre o corpo e o espírito. Quando ela ocorre, “o pó volta à terra, de onde veio, e o espírito volta a Deus, que o deu” (Ec 12.7). A fé cristã tem como absolutamente certa a restauração do corpo, a qual a Bíblia chama de ressurreição. O corpo novo será incomparavelmente superior ao corpo anterior. Ele será revestido de incorruptibilidade (física e moral) e de imortalidade (1Co 15.53). É muito importante a restauração da criação como ela era originalmente, antes da poluição provocada pela ignorância e irresponsabilidade do habitante do planeta. Há centenas de anos e especialmente nas últimas décadas, a ganância, o egoísmo, a competição, o consumismo e a loucura do ser humano têm causado danos enormes e irreparáveis à natureza. Temos colocado lixo nas profundezas dos oceanos e na órbita da Terra. A Bíblia chama isso de corrupção.

Os idosos também precisam de restauração! É verdade que adolescentes e jovens estão propensos a tropeçar. Mas quem disse que os idosos também não estão? Alguns personagens bíblicos cometeram pecados graves na terceira idade. O exemplo mais notáveis são: rei Salomão, Moisés, Joás, Uzias, Ezequias. “Demas se apaixonou por este mundo, me abandonou e foi para Tessalônica” (2Tm 4.10). Em que áreas os idosos podem vir a pecar? “Em qualquer área” talvez seja a resposta mais prudente. O ser humano está sempre sujeito a pecar em qualquer idade. O idoso pode cair no pecado da amargura, no pecado da heresia (certo pastor de influência a certa altura da vida dizia acreditar na reencarnação), no pecado da soberba (os louros de uma vida bem-sucedida podem tirá-lo do sério), no pecado da lascívia e assim por diante. É por esta razão que eventualmente aqueles que estão na terceira idade precisam da misericórdia de Deus para se restaurar diante da sociedade, da igreja e de Deus.

A prática da restauração é a arte de nos colocarmos contritamente nas mãos do divino Oleiro para que Ele refaça o vaso quebrado e lhe dê a forma e a beleza anteriores, depois de qualquer escorregão e queda, depois de qualquer período de frieza espiritual e crise existencial, depois de qualquer escândalo e desastre de natureza religiosa, depois de qualquer aborrecimento com a igreja e ressentimento ou revolta contra Deus.

O estado quebrado em que se encontra o crente pouco ou muito tempo depois de um fracasso, grande ou pequeno, não é necessariamente seu estado final. Deus deixou essa certeza impressa nos olhos e na memória do profeta Jeremias ao levá-lo à casa de certo oleiro, em cujas mãos havia um vaso que se estragou. Em vez de jogar fora o vaso estragado, o oleiro o refez, moldando outra peça com o mesmo barro. Em seguida, o Senhor perguntou ao profeta: “Não podereis eu fazer de vós como fez este oleiro, ó casa de Israel? eis que, como o barro na mão do oleiro, assim sois vós na minha mão, ó casa de Israel” (Jr/18:6)

São os vasos quebrados que precisam parar nas mãos do divino Oleiro para serem outra vez modelados. Embora igualmente desintegrados e esvaziados do resplendor antigo, nem todos os vasos têm a mesma história. Certamente eles se enquadrarão em um ou mais de um dos seguintes danos ou ocorrências:

1. Perda do primeiro amor

Você está no fundo do poço porque perdeu gradativamente o entusiasmo, perdeu o gosto pela leitura da Bíblia, perdeu a vontade de orar, perdeu o gozo da comunhão com Deus, perdeu a força da esperança cristã, perdeu a capacidade de crer, perdeu o poder da fé. Tornou-se frio, insensível, incrédulo e apático. Você trocou a Casa do Senhor (Sl 122.1) pela sua casa.

2. Perda das obrigações morais

Você está no fundo do poço porque se desobrigou gradativamente dos mandamentos de Deus. Você se soltou. Fez concessões à carne, ao mundo e ao diabo. Em vez de não se conformar com este mundo (Rm 12.2), você passou a não se conformar com a obrigação imposta por Jesus de negar-se a si mesmo (Lc 9.23). Você trocou o fruto do Espírito pelas obras da carne (Gl 5.16-24).

3. Perda da pureza doutrinária

Você está no fundo do poço porque foi se distanciando gradativamente do compromisso doutrinário. Tudo começou quando você perdeu a noção da autoridade da Palavra de Deus. A partir daí você passou a crer no Jesus histórico, e não no Verbo que se fez carne (Jo 1.14). Você passou a crer na reencarnação dos vivos, e não na ressurreição dos mortos. Você passou a sobrecarregar cada vez mais os homens e a dispensar cada vez mais o concurso de Deus. Você trocou a glória de Deus pela glória dos homens, trocou

4. Perda do senso de dependência

Você está no fundo do poço porque se envaideceu gradativamente até ao ponto de acreditar que não precisa mais da sabedoria de Deus, da sua graça, do seu poder, da sua presença. Você pode tudo, você dá conta de tudo, você está sempre certo, a última palavra é sua. Você não é a vara, mas a própria videira (Jo 15.5). Você trocou a plenitude de Deus pela plenitude do seu próprio eu.

A capacidade do Restaurador

Basta passar os olhos na história da redenção para você descobrir ou redescobrir a capacidade sem medida do Restaurador. Não importa o tamanho dos estragos. Nem as diferentes áreas em que se deram os estragos. Deus restaura a saúde ao doente (Is 38.16), a vista ao cego (Lc 18.42), a fala ao mudo (Mc 7.35) e o juízo ao endemoninhado (Mc 5.15.) Devolve à posição ereta a mulher por dezoito anos encurvada (Lc 13.13). Restaura a mão até então ressequida (Lc 6.10.).

A coincidência da plenitude da humildade com a restauração

Uma das mais fantásticas restaurações da história bíblica foi a restauração de Manassés, o décimo quinto rei de Judá. Embora filho de Ezequias, aquele que promoveu uma ampla e notável reforma religiosa no país, Manassés fez coisas tremendamente más: construiu novamente os lugares de culto pagão que seu pai havia destruído, edificou altares para o famigerado deus Baal e para a deusa Aserá, prestou culto às estrelas, ofereceu mais de um dos seus próprios filhos em sacrifício aos deuses, praticou a feitiçaria e consultou adivinhos e médiuns. Manassés cometeu a loucura de colocar uma imagem de Aserá no templo construído por Salomão para uso exclusivo da adoração de Deus. Ele levou a nação a cometer pecados piores do que os pecados cometidos pelas outras nações.

Porém, quando o rei passou pela humilhação de ser preso com ganchos e correntes pelo exército assírio, ele apelou para Deus e, “cheio de humildade, se arrependeu diante do Deus dos seus antepassados”. Em seguida, ele reparou tudo o que havia feito de errado: tirou a imagem de Aserá do templo, derrubou os altares que havia construído e jogou tudo fora da cidade. Além disso, consertou o altar dedicado a Deus e levou o povo a voltar atrás e adorar apenas o Senhor (2Cr 33.1-17). Morreu aos 67 anos, depois de reinar desde os 12.

A expressão “cheio de humildade”, é a plenitude da humildade que leva à restauração e à plenitude do Espírito Santo!

Hoje, a vida continuamente sem pecado representa mais um alvo bonito do que uma história bonita. Amanhã, porém, quando trocarmos de corpo e de ambiente, seremos perfeitos assim como perfeito é o nosso Pai celestial. O apóstolo João sabia muito bem disso quando escreveu: “Estou lhes dizendo isso a fim de que vocês fiquem longe do pecado. Mas se vocês pecarem, existe alguém para interceder por vocês diante do Pai. O nome dele é Jesus Cristo, aquele que é tudo quanto é bom e que agrada completamente a Deus” (1Jo 2.1, NBV). A história do povo de Israel e a história da Igreja corroboram essa verdade. É por isso que a porta da confissão de pecado é uma porta continuamente aberta: “Se afirmarmos que estamos livres do pecado, estaremos apenas enganando a nós mesmos. Uma declaração dessas é um erro absurdo. Mas, se admitirmos nossos pecados e os confessarmos, Ele não vai deixar de nos atender: Ele é fiel a Si mesmo. Ele perdoará nossos pecados e nos purificará de todo erro” (1Jo 1.8-9).

Tomemos o exemplo de Davi, aquele que disse honestamente ter mais pecados que cabelos na cabeça (Sl 40.12). No Salmo 26, ele proclama repetidas vezes a sua retidão. Diz que tem vivido com integridade, que continuamente segue a verdade e que tem lavado as mãos na inocência. Mas, no salmo anterior, ele se confessa pecador por várias vezes. Pede que Deus não se lembre dos pecados e das transgressões de sua juventude e suplica perdão pelos seus muitos pecados (Sl 25)

Nada há de estranho na dupla experiência do salmista. Nós também somos assim. Acertamos e erramos. Erramos e acertamos. À semelhança de Pedro, um dia, confessamos com entusiasmo e convicção que Jesus é “o Cristo de Deus” (Lc 9.20) e, dias depois, declaramos sem inibição que nem sequer o conhecemos (Lc 22:57)

A vitória sobre o pecado é possível, mas não é fácil. Paulo fala sobre isso abertamente: “O que a nossa natureza humana quer é contra o que o Espírito quer, e o que o Espírito quer é contra o que a natureza humana quer. Os dois são inimigos [...]” (Gl 5.17). São duas forças dentro de nós em conflito, em oposição, em briga, em guerra. Os dois modos de vida são diametralmente opostos entre si. Nenhum dos dois lados está disposto a ceder, a entregar os pontos, a fazer algum armistício. É uma luta civil sem tréguas, sem rendição e sem fim.

Não é a primeira vez que a ideia de um poder inimigo aparece na teologia bíblica. Na parábola do trigo e joio, Jesus conta que “certa noite, quando todos estavam dormindo, veio um inimigo, semeou no meio do trigo uma erva ruim, chamada joio, e depois foi embora” (Mt 13.25). Na explicação da parábola, Jesus é bem explícito: “O inimigo que semeia o joio é o próprio Diabo” (13.39).

Precisamos ser realistas, e não triunfalistas. Precisamos nos valer da Videira e do Espírito, e não só da boa intenção e dos bons propósitos. Ao mesmo tempo, devemos ter absoluta certeza de que a vitória final será de Jesus, a quem o Senhor Deus prometeu: “Sente-se do meu lado direito, até que eu ponha os seus inimigos debaixo dos seus pés” (Sl 110.1). Essa passagem messiânica é uma das mais transcritas no Novo Testamento. Jesus (Mt 22.44), Pedro (At 2.34-35), Paulo (1Co 15.25; Ef 1.20-22; Cl 3.1) e o escritor da Epístola aos Hebreus fizeram uso dela.

Depois de qualquer comportamento duvidoso, a graça de Deus alcança-nos mais uma vez e somos colocados de volta na posição em que estávamos, desde que admitamos o erro e o confessemos com humildade. Isso não é outra coisa senão restauração. A bênção da restauração não é só para grandes e longos pecados e, ou, escândalos. É para pequenos desvios, cometidos, como costumamos dizer, por pensamento, palavra e obras. Uma restauração atrás da outra é muito melhor do que um pecado atrás do outro.

Então vamos deixar o Senhor nos restaurar!

Que o Senhor nos abençoe.

CAA no Twitter

CAA no You Tube


CAA no Facebook
Conecte-se
Atos dos Apóstolos no Facebook    Atos dos Apóstolos no Twitter    Atos dos Apóstolos no You Tube    Atos dos Apóstolos no Google
Atos dos Apóstolos
Setor SCIA Quadra 14 Conjunto 5, Lote 11, Zona Industrial (Guará) Cidade do Automóvel, CEP 71250-125 - Brasília - DF - Tel: 61 3037-9638
© Copyright Comunidade Atos dos Apóstolos 2012. Todos os direitos reservados.
Desenvolvimento e hospedagem: Top 7 Tecnologia